Logo no início da sessão, o presidente da comissão, deputado Arthur Oliveira Maia, solicitou ao Ministério da Justiça todas as filmagens registradas no dia 8 de janeiro. Essas filmagens são importantes para auxiliar nas investigações e entender melhor os eventos daquele dia.
O depoimento de Adriano Machado foi solicitado por diversos parlamentares, incluindo Eduardo Bolsonaro, Carlos Sampaio, Delegado Ramagem, Marco Feliciano, Nikolas Ferreira, Izalci Lucas, Marcos do Val, Eduardo Girão e Magno Malta. Eduardo Bolsonaro, em particular, alega ter visto nas filmagens captadas pelo sistema de câmeras do Palácio do Planalto o fotógrafo atrás de um grupo de pessoas que arrombava uma porta de vidro na antessala do gabinete da Presidência da República. Segundo ele, o fotógrafo teria informado ao invasor que a violação seria gravada, indicando uma suposta conivência.
As imagens estão sendo analisadas com cautela pelos parlamentares. Nikolas Ferreira ressaltou a peculiaridade da atitude do fotógrafo, enquanto o senador Girão afirmou que as imagens demonstram familiaridade entre o fotógrafo e os invasores, como se tudo estivesse combinado.
A CPMI já ouviu diversos depoentes, como Jorge Eduardo Naime, ex-chefe do Departamento Operacional da Polícia Militar do Distrito Federal, que afirmou que a Abin havia alertado sobre o risco de ataques, mas seu departamento não teve acesso a esses alertas. Outros depoentes incluem o empresário George Washington Sousa, o diretor do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil do DF, Leonardo de Castro, e os peritos da Polícia Civil do DF Renato Carrijo e Valdir Pires Filho.
Além disso, a CPMI também ouviu o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, que negou qualquer atuação política para favorecer Jair Bolsonaro durante as eleições. O coronel Jean Lawand Júnior também prestou depoimento, explicando mensagens trocadas com o tenente-coronel Mauro Cid, então ajudante de ordens do ex-presidente. Mauro Cid, por sua vez, não respondeu às perguntas dos parlamentares.
A comissão também ouviu Saulo da Cunha, ex-diretor adjunto da Abin, que afirmou que foram enviados 33 alertas de inteligência sobre o monitoramento dos manifestantes contrários ao novo governo. O ex-secretário de Segurança do Distrito Federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, também já prestou depoimento, explicando a “minuta do golpe” encontrada em sua casa.
Os trabalhos da CPMI têm como objetivo esclarecer todos os acontecimentos do dia 8 de janeiro e identificar os responsáveis pelos atos de violência. Em abril deste ano, o Congresso criou a CPMI, composta por 16 senadores e 16 deputados, e presidida pelo deputado Arthur Oliveira Maia, com a senadora Eliziane Gama como relatora.
As investigações seguem em andamento, e a comissão busca todas as informações possíveis para conduzir o processo de forma justa e completa. A verdade sobre os eventos do dia 8 de janeiro será revelada após uma análise minuciosa de todas as provas e depoimentos colhidos.
– Da Redação ND