Os dados foram coletados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE e foram analisados pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria Ex Ante e com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds). Segundo o estudo, as famílias que vivem com privação de saneamento tipicamente residem em áreas rurais, cidades do interior ou assentamentos precários de regiões metropolitanas, sendo mais comumente encontradas nos estados do Norte e Nordeste. Além disso, o estudo revelou que uma parcela considerável dessas casas é composta por famílias de baixa renda, negras e com baixa formação escolar.
A região do Nordeste é a mais afetada pela falta de serviços de saneamento básico, com 40,3 milhões de pessoas enfrentando alguma privação do tipo. A ausência de coleta de esgoto é o problema que afeta a maior parte dos brasileiros, com quase 70 milhões de pessoas vivendo nessa situação.
O estudo também destaca a disparidade racial no acesso aos serviços de saneamento, com 66% das pessoas que sofrem com o problema sendo negras. A falta de banheiro em casa é identificada como a privação mais relacionada com a questão da dignidade e da saúde humana, afetando 4,4 milhões de brasileiros, sendo a maioria negra. Além disso, 23 em cada 100 casas não recebem água todos os dias, afetando mais de 50 milhões de pessoas.
A presidente do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, destacou a necessidade de priorização do tema do saneamento, enfatizando a diversidade regional, social e cultural do país. Segundo ela, a resolução desse problema só será possível com o comprometimento do setor público e privado, e uma mudança de mentalidade por parte dos governantes. O estudo deixa claro que a questão do saneamento básico no Brasil é um problema que afeta milhões de pessoas em todo o país, exigindo medidas urgentes por parte das autoridades para resolver essa situação.