Um dos relatos que chamou atenção foi o de Jhenny Silva, uma mulher transexual que enfrentou dificuldades para conseguir atendimento para tratamento de depressão e ansiedade. Ao procurar o serviço público, ela se deparou com o descaso e a negligência por parte da equipe. A situação de vulnerabilidade em que se encontrava fez com que se sentisse desrespeitada e abandonada, o que evidencia o quanto a vulnerabilidade pode influenciar na confiança no sistema de saúde.
A pesquisa realizada pela Sanofi teve a participação de mais de 12 mil pessoas em cinco países, dentre eles o Brasil. O estudo faz parte da iniciativa 1 Milhão de Diálogos, que tem como objetivo promover o diálogo e influenciar políticas públicas relacionadas à saúde. Neila Lopes, chefe de diversidade e cultura da farmacêutica, destacou que o fato de pertencer a um grupo minorizado contribui para experiências que prejudicam a confiança no sistema de saúde.
No Brasil, 15% das pessoas ouvidas se identificaram como LGBTQIA+, das quais 7 em cada 10 perderam a confiança nos planos de saúde privados e 9 desconfiam do sistema em geral. Além disso, 16% dos participantes da pesquisa no Brasil eram pessoas com deficiência, que apontaram a falta de acolhimento, o atendimento de má qualidade e o julgamento como principais problemas.
Esses relatos representam um cenário preocupante, que mostra a dificuldade de acessibilidade e atendimento para esses grupos. O pesquisador Caio Pedra destacou que a dificuldade de acesso da população LGBTQIA+ ao sistema de saúde é histórica, e que o corpo médico não está preparado para lidar com as demandas específicas desses grupos. Além disso, a falta de escuta e de explicações adequadas por parte dos profissionais também foi apontada como um dos principais problemas.
A desconfiança no sistema de saúde, a falta de acolhimento, o julgamento e a negligência relatados por esses grupos minorizados evidenciam a necessidade de mudanças estruturais no sistema de saúde brasileiro. São desafios que precisam ser enfrentados para garantir um atendimento digno e respeitoso para todos os cidadãos, independentemente de sua condição de gênero, orientação sexual, raça, deficiência ou qualquer outra característica.






