Em um recente incidente no Colégio Santo Agostinho, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, foi evidenciado o uso inadequado da tecnologia, o que ressalta a urgência da discussão e aprovação de legislações para o uso ético da tecnologia. Esse debate se torna ainda mais relevante quando envolve a proteção da privacidade e da dignidade, especialmente de crianças e adolescentes.
A psicanalista Vera Iaconelli, autora de livros como “Manifesto antimaternalista”, ressalta que o problema da pornografia falsa não é isolado, mas sim um reflexo de uma sociedade que perpetua o machismo estrutural. Ela argumenta que a internet, por amplificar e criar novos discursos conservadores, acaba propagando o pior em vez de promover a justiça social.
Iaconelli também aponta que as mulheres são mais suscetíveis aos riscos da internet, especialmente as meninas, para as quais a internet é mais nociva. Ela destaca que a internet se estrutura na maldade e no conteúdo apelativo e abusivo, assim como os programas sensacionalistas de televisão.
Ao discutir as plataformas digitais, Iaconelli salienta que elas são responsáveis por impulsionar conteúdos violentos e sensacionalistas, o que contribui para a propagação de práticas criminosas como os deep fakes. Ela ressalta a importância da regulação da internet para direcionar seu uso para educação, cidadania e justiça social, em vez de perpetuar discursos negativos e prejudiciais.
Além disso, a psicanalista alerta para o vício em internet, que afeta de forma profunda as emoções, especialmente de mulheres, destacando que a internet é mais aditiva do que substâncias como cigarro e cocaína.
Enquanto há projetos em tramitação para criminalizar os deep fakes e proibir o uso de aplicativos de inteligência artificial com essa finalidade, é importante lembrar que o problema vai além da tecnologia. A impunidade nas redes, a omissão do estado em regular, a falta de limites em uma geração que não suporta frustração, e a ausência de diálogo nas famílias sobre os malefícios da violência virtual são fatores que também contribuem para a vulnerabilidade das mulheres na internet.
Dessa forma, a discussão sobre deep fakes e a vulnerabilidade das mulheres na internet requer uma abordagem multidimensional, que envolva não apenas a tecnologia, mas também aspectos sociais, culturais e comportamentais. A responsabilidade do Estado e das plataformas digitais também é fundamental para combater esse problema e promover um ambiente online mais seguro e equitativo.