Mulheres são as maiores vítimas dos deep fakes: internet amplifica e propaga o pior. Como as plataformas e o Estado podem combater o problema?

No século 21, a internet parece ser um terreno nivelado para homens e mulheres, mas na realidade, elas são as maiores vítimas dos deep fakes e da objetificação online. Os deep fakes, que consistem na alteração de imagens para forjar nudez, são uma forma de pornografia falsa, que é crime previsto no Código Penal, com pena de detenção. Mas por que as mulheres são as principais vítimas? Como evitar ser alvo de deep fakes? Essas são algumas das questões que envolvem a discussão sobre a vulnerabilidade das mulheres na internet.

Em um recente incidente no Colégio Santo Agostinho, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, foi evidenciado o uso inadequado da tecnologia, o que ressalta a urgência da discussão e aprovação de legislações para o uso ético da tecnologia. Esse debate se torna ainda mais relevante quando envolve a proteção da privacidade e da dignidade, especialmente de crianças e adolescentes.

A psicanalista Vera Iaconelli, autora de livros como “Manifesto antimaternalista”, ressalta que o problema da pornografia falsa não é isolado, mas sim um reflexo de uma sociedade que perpetua o machismo estrutural. Ela argumenta que a internet, por amplificar e criar novos discursos conservadores, acaba propagando o pior em vez de promover a justiça social.

Iaconelli também aponta que as mulheres são mais suscetíveis aos riscos da internet, especialmente as meninas, para as quais a internet é mais nociva. Ela destaca que a internet se estrutura na maldade e no conteúdo apelativo e abusivo, assim como os programas sensacionalistas de televisão.

Ao discutir as plataformas digitais, Iaconelli salienta que elas são responsáveis por impulsionar conteúdos violentos e sensacionalistas, o que contribui para a propagação de práticas criminosas como os deep fakes. Ela ressalta a importância da regulação da internet para direcionar seu uso para educação, cidadania e justiça social, em vez de perpetuar discursos negativos e prejudiciais.

Além disso, a psicanalista alerta para o vício em internet, que afeta de forma profunda as emoções, especialmente de mulheres, destacando que a internet é mais aditiva do que substâncias como cigarro e cocaína.

Enquanto há projetos em tramitação para criminalizar os deep fakes e proibir o uso de aplicativos de inteligência artificial com essa finalidade, é importante lembrar que o problema vai além da tecnologia. A impunidade nas redes, a omissão do estado em regular, a falta de limites em uma geração que não suporta frustração, e a ausência de diálogo nas famílias sobre os malefícios da violência virtual são fatores que também contribuem para a vulnerabilidade das mulheres na internet.

Dessa forma, a discussão sobre deep fakes e a vulnerabilidade das mulheres na internet requer uma abordagem multidimensional, que envolva não apenas a tecnologia, mas também aspectos sociais, culturais e comportamentais. A responsabilidade do Estado e das plataformas digitais também é fundamental para combater esse problema e promover um ambiente online mais seguro e equitativo.

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