Ministro Gilmar Mendes mantém audiência de conciliação sobre marco temporal para demarcação de terras indígenas no STF.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, proferiu uma decisão nesta segunda-feira (9) que manteve os trabalhos da audiência de conciliação acerca do marco temporal para demarcação de terras indígenas. A discussão gira em torno da tese segundo a qual os indígenas teriam direito somente às terras que estavam sob sua posse em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial na época.

Como relator das ações relacionadas ao tema, Gilmar Mendes informou que as audiências continuarão mesmo sem a presença dos representantes da Articulação dos Povos Indígenas (Apib), principal entidade que atua na defesa dos direitos indígenas. Em uma audiência anterior, a Apib retirou-se da mesa de conciliação, argumentando que os direitos dos indígenas são inegociáveis e que não há paridade no debate. Vale ressaltar que, no ano passado, o plenário do STF decidiu a favor dos indígenas, considerando o marco temporal inconstitucional.

Durante a abertura da reunião, Gilmar Mendes enfatizou que nenhum dos integrantes da comissão especial tem o poder de paralisar as negociações e que os trabalhos prosseguirão, mesmo sem a presença dos representantes da Apib. O ministro expressou a esperança de que os indígenas retornem às negociações. Caso a Apib mantenha o desinteresse em participar das discussões, os cinco representantes indígenas indicados pela entidade serão substituídos.

Com a ausência dos representantes da Apib, os trabalhos seguem com representantes do agronegócio, dos governos estaduais, do governo federal (representado pela Funai e pelo Ministério dos Povos Indígenas) e do Congresso. A audiência foi convocada por Gilmar Mendes, relator das ações protocoladas pelo PL, PP e Republicanos, que buscam manter a validade do marco temporal para demarcação de terras indígenas e processos nos quais entidades indígenas e partidos governistas questionam a constitucionalidade da tese.

A realização da audiência impede uma nova decisão do STF sobre o marco temporal e dá ao Congresso tempo para aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que confirme a tese na Constituição. Em dezembro do ano passado, o Congresso Nacional derrubou o veto do presidente Lula ao projeto de lei que validou o marco, embora o STF tenha decidido previamente contra essa tese. A decisão da Corte foi utilizada pela equipe jurídica do Palácio do Planalto para embasar o veto presidencial. As reuniões estão programadas para ocorrer até 18 de dezembro deste ano.

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