As alterações no currículo, que incluem a extinção de matérias eletivas e a redução no número de itinerários para o ensino médio, foram alvo de discussão. A decisão de reduzir os itinerários foi defendida por Guilherme Lichand, pesquisador da Universidade Stanford, que argumentou que países com baixa evasão escolar e bom desempenho no Pisa possuem poucos itinerários.
Entretanto, Lichand apontou a baixa presença de estudantes em cursos profissionalizantes, ressaltando a importância de ampliar o ensino técnico no estado de São Paulo. A inclusão da recuperação de matemática e português nas séries finais do ensino fundamental foi elogiada, mas também foi apontado cautela sobre a ideia de dividir as turmas em três níveis de proficiência.
Katia Smole, especialista em formação de professores de matemática, destacou a inclusão da recuperação na grade curricular como um “ganho gigante”, reconhecendo o déficit de aprendizagem em português e matemática. No entanto, Smole foi crítica em relação à redução de itinerários e à falta de um currículo com um fio condutor que integrasse as disciplinas.
Uma das críticas mais contundentes veio da escritora Heloisa Prieto, que afirmou que a redução das aulas de artes equivale a uma forma de aprisionamento e exclusão dos alunos da rede pública. Prieto argumentou que as aulas de artes são fundamentais para o desenvolvimento integral do aluno, especialmente em um momento que exige equilíbrio entre racionalidade e bem-estar.
As mudanças propostas pela gestão Tarcísio de Freitas para o currículo das escolas de São Paulo têm gerado debates entre os educadores consultados, evidenciando a importância de considerar diferentes perspectivas sobre o assunto. A inclusão da recuperação de português e matemática foi elogiada, mas as críticas em relação à redução das aulas de artes e a falha na integração das disciplinas ressaltam a necessidade de contemplar aspectos essenciais para o desenvolvimento educacional dos alunos.