Repórter São Paulo – SP – Brasil

Falece o criador do termo ‘agrotóxico’ que gerou polêmica e revolucionou os estudos da agroecologia

O Brasil perdeu nesta quinta-feira um dos grandes pensadores e defensores da agricultura orgânica. O professor Adilson Paschoal, fundador da cátedra de Agricultura Orgânica na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), faleceu aos 79 anos em decorrência de miastenia, uma doença hereditária, em Piracicaba (SP).

Nascido em Casa Branca (SP) em 8 de novembro de 1941, Paschoal estudou Agronomia na Esalq e construiu uma sólida carreira acadêmica, obtendo títulos de doutorado, pós-doutorado e livre-docência. Sua busca pelo conhecimento o levou aos Estados Unidos nos anos 1970, onde obteve um doutorado em zoologia na Ohio State University e se especializou em ecologia e conservação de recursos naturais. Foi nesse período que ele testemunhou a disseminação das técnicas da chamada Revolução Verde, que ele discordava veementemente.

De volta ao Brasil, o professor se tornou um dos membros pioneiros da agroecologia, quando a prática ainda era conhecida como “agricultura alternativa”. Além disso, foi um dos fundadores da Associação de Agricultura Orgânica (AA) e compartilhou com entusiasmo os conhecimentos da agrônoma austríaca Ana Maria Primavesi, revolucionária no entendimento da vida do solo.

No entanto, o legado de Paschoal vai além de suas práticas e ensinamentos. Em 1979, ele publicou um artigo em que definiu pela primeira vez a palavra “agrotóxico” para ser aplicada a herbicidas e praguicidas, conceito que foi expandido em seu livro do mesmo ano, intitulado “Pragas, praguicidas e a crise ambiental”, obra de referência para os estudos da agroecologia.

A morte de Paschoal representa uma perda significativa para a comunidade acadêmica e para todos aqueles que acreditam em práticas agrícolas mais sustentáveis e saudáveis. Seu trabalho e legado continuarão a inspirar e influenciar as futuras gerações de estudiosos e defensores da agricultura orgânica e da agroecologia.

A Esalq-USP e a comunidade científica prestam suas condolências à família e amigos do professor Adilson Paschoal, que deixou um legado duradouro e impactante no campo da agricultura sustentável.

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