Repórter São Paulo – SP – Brasil

Especialista alerta: CDI não é adequado como meta atuarial e pode comprometer retorno de investidores

A busca pelo retorno do CDI como objetivo principal de investidores pode não ser adequada para atingir suas metas atuariais. A meta atuarial é um conceito comumente utilizado no mercado previdenciário, onde existem os passivos representados pelos fluxos de caixa devidos aos beneficiários de aposentadoria, e os ativos, que são os investimentos responsáveis por atender a esses passivos futuros.

No âmbito individual, o passivo é formado pelos objetivos financeiros de curto, médio e longo prazo, enquanto os ativos correspondem aos investimentos financeiros e imobiliários. A meta atuarial é a rentabilidade mínima necessária para que os ativos sejam capazes de cumprir os fluxos necessários para alcançar esses objetivos.

Embora muitos investidores questionem se o CDI pode ser utilizado como meta atuarial, essa não é uma opção adequada. O CDI é um indicador financeiro cuja rentabilidade pode variar significativamente, podendo ser menor que a inflação. Portanto, é difícil determinar quanto o CDI deve apresentar de retorno acima do IPCA no futuro.

Uma meta atuarial deve ser uma rentabilidade superior a um indicador que mensure a perda do poder de compra do dinheiro, ou seja, acima da inflação. Isso ocorre porque qualquer planejamento financeiro terá custos que aumentarão com a inflação. Portanto, se os ativos apenas acompanharem a inflação, eles não estão adicionando valor, mas apenas recuperando a perda de valor do dinheiro.

Assim, a taxa de retorno acima do IPCA pode ser considerada a meta atuarial e o indicador para avaliar o desempenho da carteira de investimentos. Essa rentabilidade deve ser estimada com base no patrimônio atual, nos objetivos financeiros e na capacidade de poupança periódica do investidor.

Mesmo para aqueles que não possuem um planejamento financeiro, é importante definir uma meta mínima para seus investimentos. Nesse caso, o CDI também não é adequado como métrica para o longo prazo, já que ele não garante um retorno suficiente para cobrir a inflação.

Uma regra geral para os mais conservadores é considerar uma taxa equivalente a 80% da taxa de juros real como meta atuarial, ou seja, acima da inflação atual. Já para os mais arrojados, é possível utilizar um rendimento de 20% acima da taxa real de títulos públicos, como o IPCA+6% ao ano.

A análise do retorno real de índices de ações, como o Ibovespa e o S&P 500, nos últimos 20 anos, mostra que é possível obter retornos acima da inflação. Atualmente, existem muitos títulos de renda fixa privados com rendimento acima do IPCA+6% ao ano, o que possibilita alcançar uma rentabilidade de longo prazo capaz de superar a meta atuarial.

Portanto, é importante considerar a meta atuarial como referência para planejar e avaliar seus investimentos, garantindo que as metas financeiras sejam coerentes e possam ser alcançadas.

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