Emissões de carbono dobram com queda na fiscalização na Amazônia durante governo de Bolsonaro.

Os dois primeiros anos do governo Jair Bolsonaro foram marcados pela queda expressiva na fiscalização ambiental, o que teve um impacto central nas emissões de gases-estufa na Amazônia. Um estudo publicado na revista Nature revelou que mesmo sem as condições de seca severa, que aumentam as queimadas, as emissões nos anos de 2019 e 2020 foram tão altas quanto as registradas durante o período do El Niño extremo em 2015 e 2016, que apresentou grandes níveis de crescimento de CO2 atmosférico.

Segundo os pesquisadores, a redução das multas, decorrente da diminuição das políticas públicas de combate aos crimes ambientais, resultou em um aumento de 80% no desmatamento. Eles estimaram que as emissões tenham dobrado nos anos de 2019 e 2020 em comparação com o período de 2010 a 2018. Em 2019, houve um aumento de 89% nas emissões de carbono, enquanto em 2020 o crescimento foi de 122%.

Os cientistas explicam que em 2019, o aumento das emissões ocorreu devido ao aumento de 82% no desmatamento e de 14% na área queimada na Amazônia, uma vez que as condições climáticas se mantiveram dentro da variabilidade esperada. Já em 2020, a explosão das emissões esteve relacionada ao aumento de 77% no desmatamento e de 42% na área queimada, além de uma redução de 12% na precipitação anual e um aumento de temperatura de 0,6°C durante a estação chuvosa.

As menores precipitações e as maiores temperaturas levam a condições de estresse na floresta, impactando o balanço entre fotossíntese e respiração e aumentando as emissões de CO2. Os pesquisadores destacam que a Amazônia está emitindo mais carbono, amplificando as consequências das mudanças climáticas globais.

O estudo ressalta que a Amazônia já foi um importante agente de sequestro de carbono, mas que isso tem diminuído devido ao desmatamento e à mudança climática. Cerca de 18% da Amazônia já foi devastada pelos humanos, sendo que 14% foi convertido para agropecuária, especialmente para pasto.

Para a realização do estudo, os pesquisadores coletaram amostras em quatro áreas da floresta amazônica por meio de sobrevoos entre 2010 e 2020. Além disso, analisaram as multas aplicadas pelos órgãos de fiscalização e constataram que houve uma queda significativa no número de autuações e no pagamento de multas nos anos de 2019 e 2020, em comparação com o período-base de 2010 a 2018.

O estudo destaca que a combinação de políticas públicas e privadas, como a expansão de áreas protegidas, o monitoramento em tempo real do desmatamento e o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento, foram eficazes no combate ao desmatamento anteriormente. No entanto, essas medidas foram atacadas e interrompidas pelo governo Bolsonaro, contribuindo para o aumento das emissões na Amazônia.

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