É importante ressaltar que a repetição é uma característica marcante nas obras de Édouard Louis, que retrata situações de pobreza e maus-tratos de maneira recorrente. O autor sofreu preconceito e violências tanto dentro quanto fora de casa, devido à sua sexualidade. Além disso, ele também enfrentou solidão durante sua ascensão financeira e intelectual.
Em “Quem Matou Meu Pai”, o autor narra a história de seu pai na forma de uma carta aberta, relembrando sua própria trajetória e criticando as condições em que o homem vive. Ruth Gilmore, intelectual americana mencionada na obra, define racismo como “a exposição de algumas populações a uma morte prematura”. Édouard Louis adiciona a essa definição o machismo, a homofobia, a transfobia e a dominação de classe.
O autor também aborda a importância do perfume de seu pai na vida de sua mãe, mencionando a colônia como motivo pelo qual ela se apaixonou por ele e decidiu se casar novamente. Édouard levanta questionamentos sobre a possibilidade de toda a vida miserável que sua família vivenciou ter sido evitada caso seu pai não tivesse utilizado o perfume em uma época em que os homens já não se importavam mais com isso.
Édouard Louis também se surpreende ao descobrir que seu pai, quando mais novo, dançava como ele, questionando sua obsessão pela masculinidade e refletindo sobre a possibilidade de seu pai ter sido uma pessoa diferente no passado. A busca por uma masculinidade idealizada levou seu pai a se privar de oportunidades e o condenou à pobreza.
Atualmente, o pai de Édouard, após ter se afastado do filho devido às suas posições políticas, concorda com suas ideias e pede para que ele fale sobre o homem que ama.
Dessa forma, Édouard Louis retrata através de suas obras as experiências de sua própria vida e critica as injustiças sociais, revelando histórias dolorosas e emocionantes.