Em uma atmosfera de reflexão e questionamento, Harari compartilhou o palco com o filósofo japonês Kohei Saito, cujas ideias baseadas no marxismo pregam a desaceleração como uma solução sistêmica. Apesar das visões contrastantes dos dois intelectuais, ambos convergem em um ponto crucial: a necessidade de repensar a forma como a sociedade se relaciona com o crescimento incessante, a exaustão dos recursos naturais e a dependência de algoritmos desumanos.
A conversa entre Harari e Saito simbolizou um apelo urgente por uma diminuição do ritmo frenético que tem caracterizado a era contemporânea. Em um mundo dominado pela informação em excesso, Harari alertou para a diferença entre informação, conhecimento e verdade, destacando que nem toda informação é útil e que a busca pela verdade pode ser mais custosa e complexa do que se imagina.
Ao citar o exemplo do retrato de Jesus Cristo, Harari demonstrou como a proliferação de informações nem sempre corresponde à verdade factual, mas pode criar redes poderosas, como a religião cristã. Em um momento de reflexão profunda, o autor de “Homo Deus” provocou a audiência ao questionar a importância da verdade em um mundo inundado por informações duvidosas.
Por fim, Harari provocou uma reflexão sobre a ficção mais difundida na sociedade contemporânea: o dinheiro. Segundo ele, os contadores de histórias mais influentes não são os vencedores do Nobel de Literatura, mas sim os laureados com o Nobel de Economia. Essa provocação ressoou na plateia, despertando um questionamento sobre a narrativa predominante no mundo atual.
Em suma, a palestra de Yuval Noah Harari na Feira de Frankfurt foi um marco na discussão contemporânea sobre a necessidade urgente de desacelerar e repensar o ritmo vertiginoso da sociedade moderna. Suas palavras ecoaram como um chamado à reflexão e à ação, em meio a um mundo que parece cada vez mais desconectado da verdade e da sabedoria.






