CNJ alerta que lei das saidinhas de presos custará R$ 6 bilhões por ano aos cofres públicos, diz relatório ao STF

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) enviou um relatório ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, alertando sobre os impactos financeiros da lei que acaba com as chamadas saidinhas de presos e exige exame criminológico para progressão de regime. De acordo com o CNJ, essa exigência custará aos cofres públicos pelo menos R$ 6 bilhões anuais.

O relatório foi enviado no âmbito de uma ação apresentada pela Anacrim (Associação Nacional da Advocacia Criminal) e submetida por Fachin para ser julgada pelo plenário do Supremo. O CNJ destaca que a imposição do exame criminológico, abrangendo aspectos psicológicos e psiquiátricos, terá um impacto significativo no sistema prisional brasileiro, aumentando os custos para um atendimento psicossocial que não melhorará as condições dos detentos.

Segundo o relatório, o custo anual estimado para a composição das equipes técnicas aptas para realizar os exames pode chegar a até R$ 170 milhões. Além disso, com o prolongamento do tempo de encarceramento causado pelos atrasos nas progressões de regime, estima-se que cerca de 283 mil pessoas deixarão de progredir regularmente em 12 meses, gerando um custo adicional de R$ 6 bilhões para os cofres públicos.

O CNJ também questiona a restrição às saidinhas de presos, destacando que não há evidências de que o modelo promova a prática de novos crimes ou grande número de não retorno dos detentos. A instituição argumenta que a redução dessas oportunidades de reconstrução e fortalecimento das relações familiares e comunitárias vai de encontro ao objetivo de promover a integração social dos condenados.

Em maio, o Congresso Nacional derrubou o veto do presidente Lula ao projeto de lei das saidinhas, proibindo a saída temporária de presos em datas comemorativas. Com a derrubada do veto, o Congresso elimina esse benefício e passa a permitir a saída temporária dos detentos, apenas para estudo ou trabalho externo, mediante novas regras.

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