Ciclistas enfrentam obstáculos e resistência da administração pública em Osasco, SP, para melhorias na mobilidade

Há quase dez anos, a professora Ariadne Heloisa Gomes, moradora do centro de Osasco (SP), tomou uma decisão que gerou surpresa entre seus parentes e amigos: abandonou o ônibus e passou a utilizar a bicicleta para se deslocar entre sua casa e o trabalho. Na época, ela foi chamada de louca, maluca e irresponsável por pedalar nas perigosas ruas da cidade, onde as ciclovias eram escassas.

Apesar das críticas, Ariadne manteve sua rotina de pedalar até a estação de trem, onde embarca rumo ao trabalho nas cidades vizinhas, seguindo o exemplo de um número desconhecido de osasquenses que optaram por enfrentar o caótico trânsito da cidade com suas bicicletas, seja por economia, saúde ou consciência socioambiental.

A escolha de Ariadne coincidiu com uma iniciativa do coletivo CiclOsasco, que em 2014 propôs à prefeitura uma contagem de ciclistas para evidenciar a necessidade de um sistema de ciclovias na cidade. O trabalho foi realizado pelos próprios cicloativistas, a partir de um método desenvolvido por Klaus Schramm, um dos fundadores do coletivo.

A contagem de ciclistas confirmou o aumento da circulação de bicicletas em Osasco, fornecendo dados relevantes sobre a circulação dos ciclistas na cidade. Esses dados foram utilizados para embasar o Plano de Mobilidade de Osasco de 2016, que levou em consideração também a pesquisa Origem e Destino, realizada pelo governo estadual.

Segundo o plano, a bicicleta é reconhecida como meio de transporte urbano e deve ser priorizada em relação aos modos de transporte motorizados. Além disso, aponta-se uma concentração de viagens de bicicleta entre a porção centro-sul e nordeste da cidade, com cerca de 1,3 mil viagens diárias.

No entanto, apesar da evidente demanda por infraestrutura cicloviária e das diretrizes previstas no plano, os ciclistas de Osasco ainda enfrentam dificuldades. Ariadne, que agora faz parte do Comitê de Mobilidade da Prefeitura, relata a resistência dos gestores municipais em implementar projetos de mobilidade ativa e realizar uma nova contagem de ciclistas na cidade. Ela destaca também a falta de estruturas de acesso nas estações de trem e a hostilidade da cidade com os ciclistas.

A vereadora Juliana Curvelo (PSOL) compartilha das mesmas preocupações, destacando a falta de acessibilidade e treinamento para motoristas de ônibus atenderem pessoas com deficiência, além da insuficiência de bicicletários e da rede cicloviária mal conectada.

Questionada sobre melhorias na infraestrutura cicloviária, a Prefeitura de Osasco menciona a existência de algumas ciclovias e ciclofaixas de lazer, e afirma estudar percursos e trajetos para áreas cicláveis na cidade, além da implantação de bicicletários em pontos estratégicos. No entanto, não responde sobre a realização de uma nova contagem de ciclistas ou o desenvolvimento de um plano cicloviário.

A ViaMobilidade, responsável pelas estações de trem, destaca que adota constantemente procedimentos para facilitar o acesso dos usuários com bicicletas e que todas as estações possuem uma cancela ao lado dos bloqueios para viabilizar o acesso. Além disso, informa que os ciclistas podem embarcar nos trens em determinados horários e que os agentes de atendimento e segurança estão orientados para garantir um acesso seguro e confortável aos ciclistas.

Em resumo, os ciclistas de Osasco enfrentam desafios para utilizar suas bicicletas como meio de transporte. Apesar da evidente demanda e dos benefícios do uso da bicicleta, a infraestrutura cicloviária ainda é insuficiente, as estações de trem apresentam dificuldades de acesso e há resistência da administração municipal em implementar políticas de mobilidade ativa.

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