Auxiliares do ministro da Justiça recebem dirigente de ONG ligada ao Comando Vermelho e descumprem Lei de Conflitos de Interesses

Ministro da Justiça, Flávio Dino, recebeu representante de ONG ligada ao Comando Vermelho
Em uma reviravolta chocante, foi revelado que dois auxiliares do ministro da Justiça, Flávio Dino, participaram de reuniões com a dirigente de uma Organização Não Governamental (ONG) ligada ao Comando Vermelho, desrespeitando a Lei de Conflitos de Interesse ao não divulgarem publicamente seus compromissos. A dirigente em questão é Luciane Barbosa Farias, de 37 anos, apontada como o braço financeiro da facção criminosa Comando Vermelho no Amazonas. Ela é casada com um líder da facção e foi recebida por quatro autoridades do Ministério da Justiça em março e maio deste ano.

Farias foi condenada em segunda instância a 10 anos de prisão por organização criminosa, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Sua presença no Ministério da Justiça foi mantida em segredo até recentemente, quando veio à público. As audiências foram intermediadas pela advogada Janira Rocha, ex-deputada estadual no Rio de Janeiro pelo PSOL.

Além disso, o secretário Nacional de Assuntos Legislativos, Elias Vaz, e o Diretor de Inteligência Penitenciária, Sandro Abel Sousa Barradas, não divulgaram suas agendas desde o início do ano, apesar da obrigatoriedade legal de fazê-lo. Mesmo o Secretário Nacional de Políticas Penais (Senappen), Rafael Velasco Brandani, que costuma publicar seus compromissos num sistema da Controladoria-Geral da União (CGU), não registrou o nome de Luciane Farias em suas agendas.

Diante dessas revelações, o Ministério da Justiça afirmou que a não divulgação da agenda de Elias Vaz se deve a um problema operacional que está sendo corrigido, mas não comentou sobre o descumprimento das obrigações legais pelos demais envolvidos. A ouvidora Nacional de Serviços Penais, Paula Cristina da Silva Godoy, também se reuniu com Luciane Barbosa, mas não está na lista de autoridades que a lei obriga a divulgar sua agenda.

A Lei de Conflitos de Interesse, também conhecida como a Lei 12.813, de 16 de maio de 2013, estipula que os agentes públicos mencionados em seus artigos devem divulgar diariamente sua agenda de compromissos públicos pela internet. Contudo, a falha em cumprir essa determinação enfraquece a política de controle de conflitos de interesse e vai contra o decreto de regulamentação do E-Agendas, sistema do governo federal que reúne as agendas das autoridades.

Após a revelação dos encontros de Luciane com os auxiliares do ministro, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) solicitou a abertura de uma investigação sobre as reuniões. O subprocurador-Geral Lucas Rocha Furtado solicitou ao TCU que adote as medidas necessárias para investigar “possíveis condutas atentatórias à moralidade administrativa” e questionou a escolha de interlocutores que desrespeitam a moralidade pública exigida das instituições oficiais.

Esses acontecimentos recentes levantam sérias questões sobre a transparência e a ética no Ministério da Justiça, trazendo à tona a necessidade de investigações e fiscalizações mais rigorosas para garantir a integridade das autoridades e a proteção do interesse público.

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