Nascido em 14 de abril de 1940, no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, Brandão era formado em psicologia. Ele lecionou na Unicamp de 1976 a 1997, onde ministrou disciplinas tanto na graduação quanto na pós-graduação, abordando temas como religião, cultura popular e teoria antropológica. Durante seu tempo como professor, ele formou vários intelectuais que se tornaram não apenas colegas qualificados, mas também amigos queridos. Com eles, compartilhou abraços calorosos, o amor pelo sertão, piadas espertas e as maravilhas da vida.
Brandão se considerava um militante-ativista e acreditava que ensinar e aprender eram ações coletivas e indissociáveis. Sua inspiração pedagógica vinha de Paulo Freire, a quem ele conheceu em 1980 e cultivou uma intensa amizade e admiração. Uma das frases mais famosas atribuídas a Freire, “A educação não muda o mundo. A educação muda as pessoas. As pessoas mudam o mundo”, foi citada por Brandão.
Mesmo após se aposentar, Brandão continuou atuando como professor colaborador na Unicamp, nos programas de pós-graduação em antropologia e no doutorado em ciências sociais. Além disso, foi professor visitante em instituições ao redor do mundo. Ele recebeu diversos prêmios em reconhecimento ao seu trabalho, incluindo o título de Comendador do Mérito Científico pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em 1998 e a medalha Roquette Pinto da Associação Brasileira de Antropologia em 2006. Em 2008 e 2010, recebeu os títulos de doutor honoris causa pelas universidades federais de Uberlândia e Goiás, respectivamente. Em 2015, tornou-se professor emérito da Unicamp.
Brandão também foi autor de diversos livros sobre comunidades tradicionais, populações rurais, contos e poesias. Sua influência no campo da antropologia e sua dedicação à educação transformaram a vida de muitas pessoas. A historiadora Lilia Schwarcz, de 65 anos, afirmou: “Brandão me levou para a antropologia e para a Unicamp. Mudou minha vida como, tenho certeza, mudou a vida de tantas outras pessoas. Bondoso, simples, generoso e alegre, ele sempre tinha uma palavra boa. Era um grande teórico de uma educação para a liberdade e escrevia como um bardo”.
Carlos Rodrigues Brandão lutava contra a leucemia. Ele deixa dois filhos e três netos. Seu legado como antropólogo, professor e amigo querido será lembrado por muitos.






