Segundo a reportagem do jornal Libération desta segunda-feira (14/08), o objetivo principal da barreira é impedir a passagem de barcos-táxi que utilizam o rio Canches como rota alternativa para chegar ao litoral e embarcar os refugiados. Os “coiotes” têm usado essas pequenas embarcações como estratégia para evitar a vigilância reforçada das autoridades.
Os promotores do porto de Boulogne-sur-Mer abriram uma investigação no sábado logo após o acidente, mas posteriormente a investigação foi transferida para Paris, de acordo com autoridades de ambos os escritórios citados pela agência AFP.
A tragédia ocorreu na madrugada de sábado, quando um barco com 66 pessoas a bordo, a maioria afegãs, afundou no Canal da Mancha. As guardas costeiras britânica e francesa conseguiram resgatar 59 pessoas, porém o número de mortos ainda não é definitivo.
Apesar de as buscas no mar terem sido canceladas no sábado à noite, os navios que passam pelo Canal da Mancha receberam a recomendação de permanecerem vigilantes. O secretário de Estado da França para assuntos marítimos, Herv Berville, denunciou os “traficantes criminosos” responsáveis pelas mortes e prometeu combater as redes de contrabando.
No domingo, aproximadamente 200 pessoas se reuniram em Calais, no porto, para prestar homenagem às vítimas. Durante a manifestação, eles marcharam com uma grande faixa contendo os nomes dos 376 migrantes que, segundo ativistas, morreram ao tentar atravessar o perigoso Canal da Mancha desde 1999.
O canal entre a França e a Grã-Bretanha é uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, porém também é conhecido por suas fortes correntes. De acordo com as autoridades, cerca de 1.000 migrantes estão atualmente na costa norte da França esperando por uma oportunidade de fazer a travessia. Dados oficiais revelaram que mais de 100.000 migrantes já fizeram a perigosa travessia desde 2018.
As autoridades francesas têm intensificado as patrulhas e outras medidas de segurança após o acordo feito com Londres em março deste ano, no qual a França receberia ajuda financeira para combater a situação dos migrantes. A questão dos migrantes tem aumentado a pressão sobre o governo do primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, especialmente antes das eleições gerais marcadas para o próximo ano. No ano passado, um recorde de 45.000 migrantes fizeram a travessia.