Em uma audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado, o coordenador-geral de Fiscalização do Trabalho do Ministério do Trabalho (MTE), André Roston, alertou para a gravidade da situação. Segundo ele, negar às vítimas de trabalho escravo o direito ao resgate, como aconteceu com Sônia, pode representar um retrocesso nas políticas públicas de combate a essa prática abominável.
O caso de Sônia Maria de Jesus chamou a atenção não só pela gravidade da situação em que estava submetida, mas também pelas circunstâncias que a levaram até ali. Sequestrada aos 9 anos de idade, Sônia passou sua vida sem contato com a família, desprovida de educação formal e sem acesso à saúde. Após ser resgatada, uma decisão judicial permitiu que ela voltasse à casa dos investigados, causando indignação e revolta em seus familiares.
O Ministério Público do Trabalho e a Defensoria Pública da União entraram com recursos judiciais para reverter a decisão que permitiu o retorno de Sônia à residência dos acusados. No entanto, o Supremo Tribunal Federal negou o pedido, o que gerou ainda mais polêmica em torno do caso.
Além disso, descobriu-se que Sônia nunca teve a oportunidade de frequentar a escola e aprender a ler, sendo submetida a trabalhos domésticos desde a infância. Essa grave situação revela não apenas uma violação dos direitos humanos, mas também a perpetuação de um sistema escravagista no ambiente doméstico.
Diante de tantas evidências e relatos contundentes, é fundamental que a justiça seja feita e que medidas concretas sejam tomadas para evitar que casos como o de Sônia se repitam no futuro. A luta contra o trabalho escravo deve ser constante e eficaz, garantindo a proteção e dignidade de todos os trabalhadores, independentemente de sua condição social ou econômica.