Algoritmos e inteligência artificial: desafios e consequências na sociedade contemporânea

A influência da inteligência artificial e dos algoritmos em nossa sociedade é cada vez mais evidente e relevante. De forma transparente ou sem nosso conhecimento, essas tecnologias afetam aspectos importantes de nossas vidas. Por exemplo, podemos escolher o ChatGPT para redigir um texto, mas não temos controle sobre sistemas sofisticados que selecionam os “melhores” para um emprego a partir de pilhas de currículos ou sobre bancos de dados que “preveem” quem tem mais probabilidade de dar calote em um empréstimo bancário.

Nos últimos anos, muitos processos vêm sendo automatizados em busca de eficiência e escala. No entanto, existem desafios e até violências que precisam ser discutidos mais amplamente, como no caso de preconceitos e discriminação perpetuados por modelos matemáticos. Um exemplo disso é o relato de pesquisadores da Universidade de Chicago e do MIT, que descobriram como sistemas automáticos de análise de currículos tinham preferência por candidatos com nomes tipicamente atribuídos a pessoas brancas nos Estados Unidos, em detrimento daqueles com nomes mais associados a afro-americanos. Essas questões éticas também são abordadas por cientistas de dados, como Cathy O’Neil, em seu livro “Armas de Destruição Matemática”.

Além disso, é importante lembrar que o racismo, capacitismo, homofobia e outras formas de preconceito não nasceram com a inteligência artificial, mas é igualmente importante compreender a escala que podem adquirir com esses sistemas. Segundo o pesquisador Tarcízio Silva, o racismo algorítmico é uma espécie de atualização do racismo estrutural, com uma importância ainda maior na sociedade atual.

Portanto, é essencial ampliar o debate sobre letramento algorítmico e dar mais visibilidade a grupos de pesquisa que discutem o tema à luz da justiça e da equidade social. É o caso do Center for Critical Race + Digital Studies, que produz pesquisas e sensibiliza a sociedade sobre como raça e identidade moldam e são moldadas pelas tecnologias digitais.

Nesse sentido, a educação antirracista deve extrapolar a efeméride do Dia da Consciência Negra e fazer parte do dia a dia das escolas, assim como o letramento algorítmico precisa conquistar mais espaços na formação de crianças e adolescentes. A discussão e conscientização sobre questões éticas e morais relacionadas à inteligência artificial e aos algoritmos são fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa em meio à crescente influência dessas tecnologias em nossas vidas.

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