Expansão clandestina da pecuária ameaça indígenas guajajaras na Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, em meio a assassinatos recordes.

No estado do Maranhão, mais especificamente na Terra Indígena Arariboia, uma situação de pecuária ilegal está gerando uma série de consequências graves para a população local. A criação de gado em terras indígenas é proibida pela legislação brasileira, no entanto, uma investigação realizada ao longo de um ano pela Mongabay revelou que grandes áreas da Arariboia estão sendo utilizadas para essa prática desde 2023, um ano marcado por um recorde de assassinatos de indígenas guajajaras na região.

Os assassinatos de guajajaras têm sido associados à expansão da pecuária e da exploração madeireira ilegais na Arariboia e em áreas circunvizinhas, com a maioria dos crimes ocorrendo nos municípios de Amarante e Arame. Essas atividades ilegais também estão ligadas a embargos do Ibama por desmatamento ilegal e a operações da Polícia Federal. No entanto, não há evidências de que os proprietários das serrarias e fazendas estejam diretamente envolvidos nos assassinatos.

A situação na Arariboia é descrita como problemática pelo procurador federal Hilton Melo, que ressalta a falta de proteção efetiva das fronteiras da terra indígena. Uma operação para retirar o gado ilegal da região está planejada para o primeiro semestre de 2025, de acordo com o secretário nacional de direitos territoriais indígenas do Ministério dos Povos Indígenas, Marcos Kaingang. Estima-se que entre 500 e 1.000 cabeças de gado estejam presentes na Arariboia.

Além disso, foram detectadas ilegalidades nos arredores da Arariboia, com desmatamento em áreas protegidas por lei e construção de pistas de pouso sem licença. A situação fundiária no Maranhão é descrita como caótica pelo promotor de Justiça Haroldo Paiva de Brito, que aponta a falta de controle sobre as terras devolutas do estado.

A criação ilegal de gado nos arredores da Arariboia também tem gerado pressão para a extração ilegal de madeira dentro da terra indígena, com operações policiais recentes resultando na prisão de pessoas envolvidas nessas atividades. A situação é complexa e exige uma resposta efetiva das autoridades para proteger o território e garantir a segurança dos indígenas guajajaras na região.

Portanto, a situação na Terra Indígena Arariboia deve ser acompanhada de perto pelas autoridades competentes, a fim de coibir práticas ilegais que colocam em risco a vida dos indígenas e prejudicam o meio ambiente. A proteção das terras indígenas e o respeito aos direitos dos povos originários devem ser prioridades na busca por soluções sustentáveis e justas para a região.

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