Trabalho do cuidado por idosas é negligenciado, dificultando a identificação de violência; Caso Maria de Moura evidencia situação de exploração.

A falta de atenção para o trabalho do cuidado exercido por mulheres idosas, que atuaram em condições semelhantes à escravidão em áreas rurais, dificulta a identificação de violência contra essa parcela da sociedade. A análise é da procuradora Juliane Monetti, do Ministério Público do Trabalho, que há 15 anos combate esse tipo de exploração. Anteriormente, nas operações de fiscalização em áreas rurais, era comum encontrar homens em situações análogas à escravidão, porém, as mulheres que desempenhavam funções domésticas na cozinha das propriedades não eram resgatadas.

Juliane destaca que o trabalho doméstico também é trabalho, e muitas mulheres passaram a vida realizando essas funções, desde a infância até a velhice, sem ter acesso a educação ou liberdade. Com a evolução da sociedade, casos de exploração no trabalho do cuidado têm recebido mais atenção. Um exemplo marcante é o caso de Maria de Moura, resgatada aos 87 anos após passar 72 anos como doméstica em uma casa no Rio de Janeiro.

A história de Maria evidencia a exploração e a violência sofridas por muitas mulheres idosas nesse contexto. A sobrinha da idosa conta que ela foi trazida para o Rio aos 12 anos sob a promessa de ter uma vida igual à da filha dos patrões. No entanto, Maria foi obrigada a trabalhar como doméstica sem receber os mesmos direitos e benefícios. Após o resgate, a família de Maria lutou para garantir seus direitos e buscar justiça.

Juliane ressalta a importância de denunciar casos de exploração e violência no trabalho doméstico e busca obter ressarcimento para as vítimas. Em um caso anterior, também conduzido por ela, uma senhora de 67 anos foi resgatada de uma situação semelhante em Minas Gerais. A procuradora destaca a necessidade de conscientização e apoio às vítimas para combater essa realidade cruel e desumana.

Diante desses casos, a justiça tem buscado responsabilizar os agressores e garantir os direitos das vítimas. O Ministério Público Federal tornou mãe e filho réus por submeter Maria à condição de escravidão. A luta por justiça e reparação continua, mas a procuradora destaca que a indenização, por mais significativa que seja, não apaga o sofrimento de uma vida dedicada ao trabalho sem dignidade. É fundamental denunciar e combater essa forma de exploração para construir uma sociedade mais justa e igualitária.

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