Damiana Cavanha, líder guarani-kaiowá, morre aos 81 anos após décadas de luta pela demarcação de territórios indígenas em Mato Grosso do Sul.

Damiana Cavanha, uma líder referência na luta pela terra entre os guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul, faleceu aos 81 anos de idade. Sua vida foi marcada por múltiplas tragédias e pela incansável luta pelo seu território tradicional, Apyka’i. Damiana nasceu na década de 1940 na tekoha Apyka’i, localizada no município de Dourados. Sua família foi expulsa por fazendeiros nos anos 1980, forçando-os a encontrar refúgio em reservas indígenas na região.

As reservas foram criadas pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI) no início do século 20, com o objetivo de liberar terras indígenas para exploração econômica, reduzindo a população indígena a pequenos espaços. Damiana tentou repetidamente retornar a Apyka’i, mas todas as tentativas resultaram em despejos, incluindo o último em 2016, que a forçou a viver nas margens da BR 463.

Ao longo dos anos, Damiana enfrentou a perda de oito parentes por atropelamento, o suicídio de três outros familiares, e a morte de uma anciã de sua comunidade por envenenamento, evidenciando a tragédia e o sofrimento extremo vividos pelos guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul devido à expropriação de terras e à inoperância do Estado na demarcação de territórios.

Mesmo diante de todas as adversidades, Damiana perseverou, enfrentando ameaças e violência, mas sem nunca perder a esperança de ver seu território demarcado. Ela faleceu em 7 de novembro após sentir-se mal em casa, sendo levada ao hospital da Missão Caiuá em Dourados, onde veio a óbito. Nos últimos anos, Damiana repetia sua vontade de ser enterrada em Apyka’i, o lugar que lhe foi negado de viver.

Seu legado de força, coragem e esperança viverá na memória de sua família, comunidade e de todos aqueles que tiveram a oportunidade de aprender com sua história e sabedoria. Damiana deixa um exemplo de luta a ser seguido e uma mensagem de resistência que ressoará entre os guarani-kaiowá e além. Sua partida deixa um vácuo, mas também fortalece o compromisso de todos que trabalham pela justiça e demarcação das terras indígenas no Brasil.

O funeral de Damiana Cavanha é um testemunho da injustiça enfrentada pelos povos indígenas, mas também da determinação e resiliência que ela personificou ao longo de sua vida. Que seu legado inspire e mobilize todos aqueles que lutam ao lado dos povos originários do Brasil.

Os familiares de Damiana podem ser contatados através do e-mail coluna.obituario@grupofolha.com.br. Os anúncios de morte e missa podem ser acessados nos links fornecidos.

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