Professores vítimas de ataque em escola de São Paulo lutam por apoio psicológico e indenizações após um ano

Após um ano do ataque à escola Thomazia Montoro, na zona oeste de São Paulo, a professora Ana Célia da Rosa, de 59 anos, ainda enfrenta dificuldades. Ferida durante o incidente, que resultou na morte da professora Elisabeth Terneiro, Ana Célia não recebeu apoio psicológico, indenização financeira ou foi recontratada para dar aulas pelo governo. Atualmente desempregada, a professora tem vendido produtos como Tupperware e bolo de pote para sustentar-se.

Outra vítima do ataque, Rita Reis, de 68 anos, desenvolveu problemas psicológicos e não conseguiu retornar à sala de aula. Apesar disso, ela não teve a possibilidade de se aposentar ou mudar de cargo. Ambas as professoras, assim como Elisabeth Terneiro, eram contratadas temporariamente pela Secretaria Estadual de Educação e não possuíam os mesmos direitos trabalhistas dos docentes efetivos.

Ana Célia relata a falta de segurança no ambiente de trabalho e a ausência de apoio após o incidente. Mesmo após ter sido ferida gravemente, ela retornou rapidamente às suas atividades, sendo obrigada a lecionar na mesma sala onde foi atacada. Após o término de seu contrato em dezembro, ela aguardava por novas oportunidades em 2024, mas foi prejudicada pelas mudanças nas regras de atribuição de aulas.

Mais da metade dos professores das escolas estaduais são temporários, e a seleção para atribuição de aulas passou a priorizar os aprovados em concurso, deixando de lado profissionais experientes como Ana Célia. A falta de aulas e a impossibilidade de se aposentar levaram as professoras a buscar indenização e processar a Secretaria de Educação.

A responsabilidade do estado sobre a segurança dos funcionários e alunos em casos de ataques está amparada legalmente, e diversos estados têm buscado acordos extrajudiciais para reparar financeiramente as vítimas. A gestão Tarcísio, após pressão judicial, propôs um acordo às vítimas do ataque na Thomazia Montoro.

Em nota, a Secretaria de Educação se manifestou lamentando o ocorrido e afirmou disponibilizar apoio psicológico aos envolvidos. As professoras têm recebido acompanhamento, mas a situação de Rita Reis ainda é delicada, pois ela não conseguiu retornar à sala de aula devido aos traumas. A proposta de suspensão dos processos de indenização por 90 dias foi feita para buscar um acordo extrajudicial.

Diante da falta de amparo e da precariedade da situação das professoras, a luta por justiça e indenização segue, enquanto o governo busca soluções para reparar os danos causados pelo trágico incidente na escola Thomazia Montoro em São Paulo.

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