PP cogita moderar seu discurso, mas aliança com Vox dificulta negociações para formar maioria no parlamento espanhol

O Partido Popular (PP) da Espanha está enfrentando dificuldades para formar uma maioria no Parlamento, o que pode levar a novas eleições no país. O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, está tentando angariar apoio de outros partidos para viabilizar sua investidura como primeiro-ministro, mas a aliança com o partido de extrema direita Vox está prejudicando suas chances.

Feijóo cogitou moderar seu discurso em relação ao independentismo, na tentativa de se aproximar de partidos como Junts e o Partido Nacionalista Basco (PNV), que também têm representação no Parlamento. No entanto, a associação com o Vox tornou qualquer tipo de negociação com esses partidos inviável. O líder do Vox, Santiago Abascal, tem um discurso agressivo contra as legendas regionalistas, tanto de direita quanto de esquerda, e chegou a chamar os partidos bascos de “terroristas”, fazendo referência à sua relação com organizações separatistas.

Além das dificuldades com os partidos bascos e catalães, Feijóo também precisa do apoio de outros três partidos regionalistas: União do Povo de Navarra, Coligação das Ilhas Canárias e Bloco Nacionalista Galego. No entanto, nenhum deles está disposto a apoiar o PP enquanto o Vox fizer parte da coalizão.

Enquanto isso, o atual primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), aguarda as movimentações de Feijóo. Sánchez está no poder desde 2018 e tem a chance de se manter no cargo, dependendo das circunstâncias. Feijóo terá três oportunidades para formar uma maioria, e se não conseguir, o rei Felipe VI deverá convocar os líderes dos principais partidos para uma nova rodada de reuniões.

Se Sánchez for autorizado a tentar formar maioria, será um desafio para ele obter o apoio dos partidos catalães, que estão exigindo anistia para os presos do referendo independentista. Em seus cinco anos de governo, Sánchez nunca mostrou disposição para perdoar os independentistas.

No entanto, o PSOE tem a seu favor o fato de já ter alcançado a maioria necessária em duas votações anteriores, contando com o apoio dos parlamentares regionalistas. Mesmo assim, a situação política na Espanha continua incerta, e um impasse na formação de governo pode levar a novas eleições no país.

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